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Não aceita as rugas?

Site UOL - Novembro / 2013

Pavor de envelhecer mostra que uma pessoa deve procurar uma terapia em vez de um cirurgião plástico

Símbolo máximo de elegância, a estilista francesa Coco Chanel, uma das maiores revolucionárias da moda, já dizia no início do século passado: "A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida talha o rosto que você tem aos 30. Mas depende de você merecer o rosto dos 50".

A frase, porém, foi dita em uma época em que as cirurgias plásticas parceladas em 24 vezes e os tratamentos a laser nem existiam. Hoje em dia, menos conformadas e mais vaidosas, há mulheres que relutam em aceitar os sinais de envelhecimento, procurando clínicas estéticas logo que notam o aparecimento das primeiras rugas.

Que a vaidade na medida certa é saudável, não há cirurgião plástico ou dermatologista que discorde. O problema acontece quando a busca pela juventude se transforma em obsessão, colocando em risco o equilíbrio emocional, a aparência física e, principalmente, a saúde.

"Todos podem melhorar algo: preencher uma ruga, esticar uma papada, atenuar as olheiras. Porém, tudo em excesso deixa de ser natural e harmonioso", diz a médica Eliane Hwang, especialista em cirurgia plástica pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e membro do corpo clínico do Hospital São Paulo, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"A cirurgia plástica bem indicada e bem executada não é aquela em que se nota que um procedimento foi realizado, e, sim, a que deixa a paciente com um aspecto saudável, natural e de proporções estéticas adequadas à idade", afirma.

Ultrapassando os limites

Mas como descobrir que a busca pela juventude está se transformando em obsessão? Há vários sinais de alerta, diz Eliane Hwang. A partir do momento em que a pessoa perde a fisionomia original, significa que os limites do aceitável foram ultrapassados.

O mesmo acontece quando a paciente deixa a vida social, familiar e profissional em segundo plano, para se dedicar a planejar uma nova cirurgia ou procedimento. Ou quando não respeita a opinião do cirurgião plástico ou do dermatologista, insistindo em procedimentos ou cirurgias não indicados pelos especialistas.

Para a cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho, membro da SBCP, há mulheres que estão eternamente insatisfeitas com a aparência, sempre encontrando novos defeitos.

"É aquela pessoa que traz uma foto de artista e diz que quer ter aquele nariz, aquela boca, aquela sobrancelha. E não entende, quando explicamos, que é impossível reproduzir uma característica de uma pessoa em outra, e que determinadas formas ficam harmoniosas em um rosto, mas em outro, não", afirma a cirurgiã.

Consequência dos exageros

A insistência em realizar cirurgias ou procedimentos não recomendados pelos médicos podem trazer consequências desastrosas. A aplicação em excesso da toxina botulínica, por exemplo, pode deixar as sobrancelhas com o formato de triângulo, dando um aspecto "diabólico" às pessoas, diz a dermatologista Denise Lage, membro da Academia Brasileira de Dermatologia. Os lábios com excesso de preenchimento ficam como se fossem um "bico de pato", segundo a especialista. O preenchimento exagerado em bochechas, por sua vez, deixam as pacientes com aspecto de excesso de peso.

"Além disso, os colegas cirurgiões plásticos estão acostumados com pedidos de implantes de silicone exagerados, que podem causar distensão inadequada da pele e sérios problemas de coluna", diz a dermatologista.


Abaixo segue a publicação:


Abaixo as olheiras

 


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